domingo, 9 de maio de 2010

Eu não sei exatamente como todas essas coisas aconteceram, mas de fato é que elas aconteceram, e bom ou ruim foram exatamente como eu planejei. E é exatamente esse o ponto: tudo planejado.
Eu me pego pensando se todas essas coisas tortas, todas essas perfeições encontradas, todos os momentos indiscritivelmente necessários foram só planos. Tudo tão racionalizado que eu senti um medo tão grande de perder meu controle e quando eu perdi meu controle, eu senti medo de perder você. E depois veio o medo de perder a história, de perder o sentido, o medo de me perder e, logo depois, a perda de tudo.
Só porque eu entendi que tudo na vida é "ou...ou": ou você tem uma coisa ou você tem outra, e seria praticamente impossível ter o coração completo e a sanidade intacta. Mas logo depois eu entendi a possível probabilidade de ser feliz comigo e ter você como alternativa.
E eu ainda não sei se é melhor depender de você ou depender de mim, o que eu sei, é que eu não tenho prejuízos emocionais em ser racional; e viver rindo da possível infelicidade que é não ser necessário ter um amor, é quase tão bom quanto a alegria de tê-lo.

P.s: feliz dia das mães, mãezinha, te amo demais! s2

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Acredito que a felicidade em estado de ebulição deixa as pessoas com um certo bloqueio mental, e me pego pensando nisso agora que sinto tantas coisas que podem ser passadas para o papel e não consigo dizer nada.
Faltam palavras mas transbordam tantos sentimentos, memórias, acontecimentos, fatos... me sinto como um copo transbordando de água, tão transparente, tão plena... eu me sinto muito bem!
E acho que tenho medo disso tudo, acho que tenho um medo da felicidade; não dela em si, mas do que pode vir depois, do "pra sempre que sempre acaba", eu não sei... eu não quero pensar no amanhã, eu quero acordar todos os dias no meu "hoje" pessoal, eu quero que tudo isso seja diferente mas sempre igual, sempre dentro da minha felicidade, sempre dentro desse estado de espírito que independe de outras pessoas mas que quando você tem a elas ajuda demais.
Eu sou feliz por mim, pelas metas cumpridas, por mais um ano que chegou, pela tranquilidade, pelas realizações, pelo amor, por tuuuuudo!
Dias melhores pra sempre!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Divã

"Ontem fui jantar com Murilo num restaurante japonês. Você acredita que ele nunca tinha provado comida japonesa? Aceitou meu convite com desconfiança, parecia que eu o estava levando para comer ratazanas cruas. Minha tentativa de introduzi-lo à sofisticação gastronômica acabou sendo um fracasso. Odiou tudo. O menino é fiel aos pratos caseiros. Iguaria para ele é bife, batata frita, arroz e feijão, no que ele não está errado, mas chegou a hora de ele aprender que a vida é repleta de sabores e que amor nenhum me fará amarrar um avental em torno da cintura e encarar uma cozinha. Depois de uma certa idade, adeus às concessões.
Mas estou lhe contando isso por outra razão. Encontramos Gustavo e a sua nova mulher no restaurante. Ele já me disse o nome dela várias vezes mas eu nunca consigo guardar, nem pergunto mais para não parecer provocação, acho que é Simone ou Silvana, qualquer coisa com S, de sem sal.
Maldade. É uma moça discreta, bonitinha. Ele teve uns namoros rápidos depois da nossa separação, mas esta é a primeira com quem ele foi viver. Todo mundo diz que estão muito felizes. Grrrrrr. Todo mundo. Eu queria uma amostra de três pessoas desde "todo mundo". Garanto que uma não sustentaria a versão da outra.
Não é bem ciúmes. É como quando a gente empresta o nosso melhor vestido, imagine um vestido Armani que você trouxe de Milão e pelo qual pagou uma fortuna, pois então, é como se você o tivesse emprestado a uma amiga, aí ela veste a roupa na sua casa, fica linda, muito mais do que você ficou quando o usou, e sai com o vestido para uma noite de farra, sujeita a abraços, manchas de vinho e elogios rasgados. Desculpe, eu sei que a comparação é infeliz. Horrível, tá certo. Mas é assim que eu me senti. Como se eu tivesse tido um surto de generosidade ao emprestar algo que me era muito caro para a felicidade momentânea de outra pessoa. Pode anotar aí: possessão, egoísmo e esquizofrenia. Palavras muito adequadas, já que o assunto é casamento.
Eu e Gustavo somos um casal pra sempre. Acho que nunca houve duas pessoas tão casadas, no sentido mais engajado do termo. Eu sempre tive uma necessidade muito grande de encontrar alguém que preenchesse uma lacuna que, vazia, me despersonalizava. Eu sempre fui solitária e esta solidão, estranhamente, não me dava liberdade. Só quando conheci Gustavo é que me senti livre, é como se eu tivesse conseguido montar meu quebra-cabeça e pudesse partir para um novo desafio. Gustavo sempre foi uma espécie de salvo-conduto, o cara que me legitimou, e creio que representei isso para ele também. A gente se relacionava para permitir que o outro fosse fiel a si mesmo. Não sei se dá pra entender o que eu digo, é tudo muito inverso do que chamam de amor. A gente ficou junto enquanto ainda havia o risco de o amor abandonar sua missão em nossas vidas. Quando sentimos a missão cumprida, quando soubemos profundamente quem éramos e quando aprendemos a lidar sozinhos com nossas imperfeições, a separação acabou sendo uma consequência natural.
Claro que amo Gustavo, lógico, eu adoro aquele, aquele dom-juan! Querido, o Gustavo. Ninguém me conhece tanto como ele, ninguém me aceitou tanto quanto ele. Aquilo não é um homem, é um winchester, um sensor de fibra ótica, um aparelho de raios X, ele armazena você, ele enxerga tudo o que você é, percebe tudo o que você sente e não tenta mudar nada. Agora a comparação foi boa.
Então vê-lo com outra mulher é natural e ao mesmo tempo esquisito. Senti coisas que não costumo sentir, como piedade. Não por mim, Lopes, por ela! Piedade porque aquela moça jamais conhecerá Gustavo como eu conheço, e nem se dê ao trabalho de dizer que é muita pretensão de minha parte, eu sei disso muito bem. Piedade, admito, misturada com raiva, por meu posto ter sido ocupado, mas foi uma raiva ligeira, logo me dei conta de que mulher nenhuma me substituirá na vida dele e eu estou segura disso porque olhei Murilo ao meu lado e reparei que ele também não estava ocupando a vaga de ninguém. E, por fim, senti alívio porque Gustavo não me viu, não precisou perder seu tempo sentindo e pensando coisas a meu respeito que não levariam a novas conclusões. Nós dois não temos mais que testar coisa alguma, passar por nada mais.
Foi Murilo que detestou a comida, mas fui eu que inventei uma indigestão quando ele me trouxe em casa. Não o convidei para entrar. Não que eu preferisse dormir sozinha ontem à noite: precisei."

Faz sentido pra mim ;D

sábado, 31 de outubro de 2009

Eu tô buscando uma forma de sair de dentro de mim mesma, uma porta nos fundos e uma chave que tranque todo o lado ruim das coisas boas.
Eu quero mesmo que me livre de todo mal... amém!

domingo, 18 de outubro de 2009

No começo eu senti algo diferente,
meus braços e pernas tremiam.
Senti que isso iria fazer muito bem
e se passava por uma época linda.

Com o passar do tempo
continuava a mesma coisa

o sentimento ainda forte,
mas com braços e pernas firmes.

Eu devia saber que aquela época havia de passar.
o sentimento mudou para um oposto
e isso começou a me preocupar,
tendo a sensação de estar faltando algo
e surgindo vários problemas.

Pensei que tudo já estava perdido,
foi quando aquela época voltou,
abriu os meus olhos
e me mostrou que você é a solução dos meu problemas.

Poesia por Eduardo Pessoa. Criatura inútil da minha convivência diária que normalmente me surpreende com as suas crises de criatividade.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Necessidade.

Eu preciso tanto aproveitar você, preciso tanto que o seu coração seja só meu, preciso tanto sentir seus braços, seu cheiro, suas mãos, seu corpo, sua pulsação, seu sorriso, seu olhar penetrante e fatal encontrando com os meus dentre nossas conversas conectivas junto daquela cumplicidade única e inexplicável.
Eu preciso tanto fechar os olhos, e ao abrir-los, encontrar sua mão segurando a minha e aquele ar subentendido de "nós estaremos sempre juntos... seja como for".
Eu preciso tanto de você família, você amigo, você cúmplice, você conexão, você meu, você amor incondicional...
Eu preciso que todos os nossos dias sejam magia, sejam piada, sejam sorrisos, sejam teimosia, sejam ignorâncias, sejam brincadeiras, sejam compreensão. Preciso que a força nunca acabe, que a luz nunca se apague, que tenhamos sempre a mesma base com inúmeras formas de progressão.
Preciso de você dentro de mim, preciso te envolver, preciso sentir toda a energia, preciso conectar o meu coração no encaixe elétrico simetricamente perfeito que ele encontrou...
Eu preciso mesmo que você saiba que o meu sorriso será sempre seu dentro da expectativa de tempo onde meus ponteiros encontrarão sempre seus números em exatidão, que o meu coração baterá por você até o último momento em que você mandar forças suficientes para sua pulsação.
Eu preciso que você acredite na força da troca de olhares, no poder da química, na existência do encaixe...
Ou não acredite em nada.
Apenas saiba que certamente não existiria a forma mais incondicional de amor caso não houvesse eu e você.

Mayara Almeida

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Porque eu sei que é amor...

E as coisas que eu escrevi, as memórias que eu guardei aqui, os momentos que eu passei, os sentimentos que eu senti, tudo, tudo... que eu vivi.
Hoje todas essas coisas fazem tanto sentido, hoje eu sinto as coisas tão mais vivas dentro de mim.
Tantos sentimentos amadurecidos, tantas sensações perdidas e que se revivem todos os dias apenas na lembrança com a certeza de se repetirem no físico e sentir com mais força, com mais amor, com mais brilho todas as coisas que fazem feliz, que fazem sentir o coração bater tão forte ao ponto de ir parar no estômago... hoje eu consigo sentir com mais força as pernas bambearem, a excitação pulsar, o coração bater, os olhos fecharem num mundo de lembranças onde tudo é tão perfeito, onde você se sentia tão aconchegado nos braços e no lugar onde você sabe que é seu, mesmo que seja naquele momento.
E hoje eu me sinto mais viva sabendo que é amor, sofrendo ou feliz, sabendo que é amor, chorando ou sorrindo, sabendo que é tudo por amor... e por mais viciante que seja, por mais dolorido que pareça saber que amar me dói tanto de vez enquanto, ter a consciência que eu sou capaz de carregar esse sentimento de inúmeras formas diferentes, se torna motivo suficiente pra olhar pra frente e sorrir sabendo que amar por amor, por dor, por agonia, por saudades, por ciúmes, por obsessão, por felicidade, por amizade, por nostalgia... é tudo amor.
E sendo nas palavras, num abraço, na ausência, ou na presença, tendo o sentimento dentro de si, você o tem em qualquer lugar, e no amor, isso basta.

Mayara Almeida